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Aqui o que importa é o conteúdo Today is Friday, May 18, 2012
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PENSE MODA DIA 3: ZEVS


Nov26

Zevs encerrou a quarta edição de Pense Moda. Ele é francês, mora em Paris e aproveita todas as possibilidades da cidade luz. “Sou um prisioneiro da cidade”, confessa. Ainda adolescente se envolveu com o grafite. Ao longo da palestra ele mostrou suas principais séries de trabalhos. O artista gosta de provocar o mundo da moda.

O nome vem de um trem que vai para o subúrbio de Paris. Ele teve a ideia quando grafitava um túnel. Depois passou a usar um uniforme amarelo, mascara com estampa de onça e criou um logotipo que espalhava pela cidade.

Há quinze anos ele se expressa por meio da pintura, a fotografia e de intervenções urbanas. Quando começou a publicidade nas ruas de Paris tinha uma força muito grande, e o grafite estava muito presente, de uma maneira saturada, contudo, um não conversava com o outro. Zevs pensou como poderia brincar com os anúncios e reagir à eles de uma maneira interessante e  unir esses dois mundo paralelos.

Assim surgiu a idéia do Visual Attack. Ele “assassinava” as pessoas felizes estampadas nos outdoors. “De uma maneira simples e rápida eu executava os modelos. Quando você olha isso cria outra imagem. A inicial perde seu valor comercial e se torna um pintura“. E reflete sobre a ideia da cidade se tornar uma galeria de arte. Contudo, com o tempo as marcas começaram a perceber e logo as intervenções eram retiradas. “Começou a ficar difícil de agir”.

Depois passou a fazer o “Visual Kidnapping”, em que seqüestrava a publicidade, deixava outra imagem no lugar e pedia resgate de 500 mil euros para as marcas. Depois de algumas ações a marca de café Lavazza cedeu e pagou (ele não especificou o valor).

Depois passou a apostar nos “Liquidated Logo”. Ele pinta os logos de grifes famosas, como se eles estivessem derretendo,“de forma que eles podem até desaparecer”, brinca Zevs. Os logos escolhidos são de marcas sólidas, com anos de mercado.

Em uma dessas ações com os logos ele foi parar na prisão. Estampou o logo da Chanel na loja da Giorgio Armani em Hong Kong (detalhe, a loja da Chanel era bem na frente da concorrente pintada). “O policial me perguntou se eu trabalha a mando da Chanel”, relembra.

 

Contudo, essa provocação fashion conquistou muitos galeristas, e suas obras começaram a valorizar no mercado de arte. E em seguida passaram a estampar camisetas. A Apple e a Puma fizeram publicidade “derretidas”. Até na internet ele provoca, seu site é o espelho do Google Images. Ficou famoso.

O jornalista Ivan Finotti da Folha de São Paulo e o artista visual Mauricio Ianês da Galeria Vermelho, subiram ao palco para entrevista-lo. E Finotti dispara: “por que tanta raiva do mundo da moda?”. E numa quase hesitação ele responde: Não tenho raiva da moda, e sim da sua imagem. Gosto da idéia de agir sobre elas e mudar seu sentido. Ele gosta de trabalhar sobre imagens, e possibilidades já existentes, e calcular o melhor ângulo de ataque. Fazer street art com a publicidade. A máscara e o uniforme dão uma conotação de super-herói.

Zevs está louco para deixar sua marca em São Paulo, e ele pediu para a platéia do Pense Moda ajudá-lo a escolher. Mande um e-mail para contato@pensemoda.com.br e sugira o lugar.

foto e Zevs/ divulgação: neonico

texto: Laura Artigas


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PENSE MODA DIA 3: MODA NA TV


Nov26

O terceiro e último dia de Pense Moda começou com o debate “Moda na TV”.  Compunham a mesa: Maria Prata, editora chefe da Fashion TV Brasil; Carla Lamarca apresentadora do programa FTV MAG, da Fashion TV Brasil e Susana Barbosa, editora de moda da Elle, agora no reality show It MTV Elle Fashion Fabrics. A mediadora foi a atriz Betty Lago. A editora de moda Lilian Pacce, do GNT Fashion e Barbara Thomaz, apresentadora do programa Glam, da Fashion TV Brasil estavam escaladas, mas não puderam comparecer.

Betty Lago, que arrancou muitas gargalhadas da platéia, assumiu o papel de debatedora. Ela abriu os trabalhos contando como foi a sua experiência no GNT Fashion no final dos anos 90 (Lilian Pacce assumiu em 2001). “Não tinha programa de moda na TV. Se eu não tivesse os contatos da época de modelo seria muito mais difícil. As marcas internacionais não davam a menor bola para gente. ‘Para que você quer convite, a gente não vende no Brasil”, relembra.

MODA PARA MUITOS
Maria Prata avisa que a televisão fala com muito mais gente por isso a linguagem deve ser outra. “A gente precisa explicar a moda”, e relembra que durante seu período como editora de moda da Vogue Brasil foi ao programa Mais Você da Ana Maria Braga, para explicar a calça saruel, um dos assuntos que a edição da revista na ocasião publicava. “os temas são os mesmos, o jeito de falar que é diferente”.

Enquanto a revista Elle, por exemplo, tem 100 mil exemplares de tiragem, um ponto no ibope representa 80 mil televisores ligados. Carla Lamarca conta que sempre presta atenção no modo que sua mãe vê moda na televisão: “ela gosta de ver o desfile, quando chega nos comentários ela muda de canal porque não sabe de quem as pessoas estão falando”. Betty Lago comenta que o mundo da moda é hermético, fechado, que todo mundo sabe quem é todo mundo. Susana Barbosa pensa que para o tema ficar mais popular “a moda tem que sair do pedestal”. A mediadora então relembra que em uma temporada de São Paulo Fashion Week, ainda quando apresentava o GNT fashion, gravou as cabeças dos programa com diferentes cocares como uma reação aos desfiles que ela não tinha gostado. “As pessoas levaram a sério. Todo mundo me criticou”.

NOVIDADE ATÉ ATRÁS DAS CÂMERAS
Começa então um movimento de gente que precisa pensar a moda para TV. Os que estão aí são desbravadores foi a conclusão da mesa. Ainda existem poucos profissionais especializados. Betty Lago discursa que boa parte das pessoas que pensam moda na televisão vieram do jornalismo impresso, e que há muitas diferenças de linguagem. O texto da televisão é mais solto e mais direto. “Eu tentei contratar muita gente para o GNT Fashion, mas no final eu mesma escrevia”, recorda.

Susana Barbosa se diz encantada com as possibilidades da nova mídia e Maria Prata acredita que o caminho natural é surgir formação especializada para quem quer: ser jornalista, trabalhar com moda e televisão. Em sua experiência na Fashion TV Brasil ela optou pontuar a moda em determinados programas, como as coberturas das fashion weeks nacionais e internacionais. “a moda entra muito mais como lifestyle na programação”, reflete.

Susana Barbosa leva em consideração também a revolução da máquina fotográfica da Canon 5D que permite fazer filmes com altíssima qualidade, e oferece novas possibilidades aos fotógrafos. “por enquanto as pessoas fotografam um catálogo e fazem as filmagens, mas isso pode ser muito mais explorado”. Maria Prata avisa que fotógrafos de moda como Jacques Dequeker começam a pensar a imagem em movimento e isso pode ser um grande ganho para a televisão.


COMO FALAR COM A CLASSE C?
Com o desenvolvimento do país uma nova uma nova classe social passa a ter acesso a TV a cabo, e a revistas de moda. Betty lago brinca: “quero ser classe C”. E avisa que para um novo projeto pensado para o canal GNT os diretores de programação estão apostando no interesse desse público pela moda.

Além do atrativo do figurino, as novelas têm repetidamente colocado personagens ligados à moda e a atual da novela das sete Ti Ti Ti traz dois estilistas como personagens principais. Isso reflete o interesse crescente do público pelo assunto. Os realities shows, também  têm atraído a atenção dos novos telespectadores.

A questão do formato expor uma pessoa gerou polêmica. Camila Yahn, do Pense Moda perguntou o que as convidadas achavam das pessoas serem humilhadas na frente das câmeras. Betty Lago diz que adora. “É uma audácia jogar todo o guarda-roupa fora”, diverte-se. Carla Lamarca pensa que programas como o “Esquadrão da Moda” tem como objetivo o entretenimento. Susana Barbosa concorda e comenta que o drama faz parte do roteiro.

Contudo, a editora-chefe da Fashion TV, avisa que o reality pode ser o começo do caminho: “Eles servem para pescar os interessados que depois vão procurar os programas mais específicos de moda”.

fotos: Neonico

texto: Laura Artigas


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PENSE MODA DIA 2: SUSANNE TIDE-FRATER


Nov25

A consultora de moda Susanne Tide-Frater se intitula brand-doctor (uma médica das marcas). “Quando os clientes me procuram pergunto onde dói”, brinca. Seu diagnóstico preciso já curou as tradicionais lojas inglesas Selfridges e a Harrods. Como consultora independente fez o parto de risco da grife de Victoria Beckham. É a incubadora do nascimento prematuro do jovem estilista inglês Christopher Raeburn. Também faz check-ups rotineiros em marcas saudáveis como a de Hussein Chalayan. Agora é uma espécie de “Dr, House” na loja virtual Farfetch, usando seu conhecimento e sua ousadia para arriscar diagnósticos no nebuloso mundo da internet.

Objetiva como uma boa germânica que é, descreveu a anatomia da grife para começar o tratamento, mas sempre seguindo o mesmo juramento: “só a criatividade de verdade pode ser comercial”. Os diagnósticos desafiadores são os mais estimulantes para ela.

A anatomia da marca é composta de: produto, história, apresentação, modos de vendas, on-line. E para todos os membros desse corpo(rativo) a inovação tem que ser o principal remédio.

Ela começa falando da grife de Victoria Beckham. “Quem no mundo da moda daria valor para a marca de uma ex popstar casada com um jogador de futebol?”. Optaram então por não ter um diretor criativo. A própria Victoria cuidaria de todos os detalhes. As roupas se assemelhariam ao estilo da própria Victoria, que por mais magra que seja não tem problemas em vestir mulheres de todos os tamanhos. Até Oprah Winfrey veste suas criações. Em vezes de anúncios lançou a marca com esse viral, sem nenhuma referência de publicidade.

Já o jovem Christopher Raeburn formado em 2006 pela Royal College of Arts, ela descreve como o mais completo contadores de história que já conheceu. Ele é muito bem resolvido com sua identidade criativa e ela ajuda a estruturar o roteiro da sua própria história. Como o vídeo a seguir:

Hussein Chalayan é um velho amigo. "Ele faz apresentações de tirar o fôlego." Consegue ter uma ligação muito forte com a arte e ao mesmo tempo não perde o tino comercial. Susanne destaca que ele é perito em criar experiência para os clientes.

 

Susanne é enfática em dizer que a marca deve criar uma jornada para o cliente. Nesse percurso o futuro consumidor deve ser protagonista e estar completamente envolvido pela experiência da compra.

Na Seldridges ela teve oportunidade de montar experiências multisensoriais para os clientes. E foi em uma dessas ações que veio ao Brasil pela primeira vez em 2003 para fazer as pesquisas que em seguida se tornariam a ação “Brasil 40º” e comenta: “na época o Brasil parecia promissor, e hoje vejo que acertamos”.

Montamos uma feira livre com produtos brasileiros, uma loja de Carnaval, e até um réplica do Cristo Redentor. Compraram cinqüenta grifes entre elas Carlos Miele, Reinaldo Lourenço e Alexandre Herchcovitch, trouxeram bandas brasileiras e montaram um festival de cinema. “As pessoas podiam experimentar o Brasil”.

Em seu novo desafio, a Farfetch, ela já detectou que as pessoas compram de duas maneiras pela internet:  quando querem algo específico ou quando se encantam por alguma coisa enquanto estão navegando. Assim sendo ela considera que tem que dar as ferramentas corretas para as condições de compras serem criadas. O site deve ser funcional, ser o mais claro possível,  contendo assim todas as informações necessárias para o consumidor não se sentir inseguro. Outro ponto é mantê-lo sempre por perto, trabalho esse que deve ser feito por meio de comunidades, redes sociais, blogs e etc. E observa que na Farfetch  a vantagem é a ausência do obstáculo geográfico. "Uma pequena marca belga é acessível a um consumidor no Alasca.", exemplifica. E recomenda que a marca que souber brincar com a web e não temê-la será a vencedora.

A editora de moda Jussara Romão subiu ao palco para fazer algumas perguntas. Começou questionando como resolver a equação: boas idéias + pouco dinheiro. A consultora disse que costuma trabalhar assim, e o importante é ter sempre em mente a inovação. A entrevistadora considera que sua consultoria é um trabalho de alta-costura,  delicado e  sob medida aos anseios do contratante. Susanne reflete que sempre acreditou no consumidor e parte dele para suas estratégias.

Um dos participantes do evento pergunta: “Como faço para trabalhar com você”? E ela responde. “Se você tem boas idéias venha falar comigo depois”. Sempre acreditando na criatividade, afinal, para ela, “o futuro não é um lugar que vamos, e sim um lugar que criamos”.

fotos: Neonico

texto: Laura Artigas


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PENSE MODA DIA 02: A CHEGADA DO LUXO NO BRASIL


Nov25

Parece que hoje a Dior vai oferecer sapatos por uma bagatela. Confira as condições de compra no texto a seguir:

O segundo dia de Pense Moda começa com um debate rico: “O impacto da chegada das marcas tradicionais estrangeiras no mercado de luxo brasileiro“. Números, porcentagens, estratégias comerciais, porém, tudo isso em um clima muito descontraído.

Na mesa estavam presentes Natalie Klein, proprietária da NK Store e parceira da grife Marc Jacobs no Brasil; o empresário e designer Alexandre Birman da marca que leva seu nome e integrante do Grupo Arezzo; Daniela Cecilio, diretora no Brasil do site de vendas Farfetch; Fernando Pimentel, diretor Superintendente da ABIT (Associação Brasileira da Industria Têxtil); Richard Barczinski, diretor de Retail da JHSF, concessionária da Hermés no Brasil e Rosangela Lyra, diretora da Dior no Brasil.

A editora da Elle, Giuliana Cury foi a mediadora, e iniciou a mesa questionando:

A CHEGADA DAS MARCAS DE LUXO NO BRASIL É MESMO CONSISTENTE?


Da direita para esquerda: Richard Barczinski, Daniela Cecilio, Giuliana Cury, Alexandre Birman, Natalie Klein

Para Natalie Klein havia uma demanda reprimida pelas marcas de luxo, contudo elas aportam cautelosas. “Aqui não é igual na Russia onde dezenas de lojas são abertas simultaneamente“, compara. Richard Barczinski concorda e Alexandre Birman completa: “essa demanda reprimida também é muito grande fora de São Paulo, em cidades como Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte“.

Fernando Pimentel cita duas frases para justificar a prudência das grifes que se instalam por aqui: “O Brasil não é para amadores” e “O Brasil é tão imprevisível, que até o passado é incerto”. E avisa que só agora o país “começa a ficar normal”, se referindo à economia estável . E antecipa que para a Indústria Têxtil Brasileira a entrada das marcas de luxo no país não é uma ameaça, uma vez que representam uma fatia muito pequena do mercado consumidor total (cerca de 2%).

A Dior é um exceção, porque está no país desde 1959, já como filial. Rosangela Lyra conta que a marca chegou por aqui em 1959. “Havia até a brincadeira: os jesuítas foram evangelizar os índios e Dior vai vesti-los”, diverte-se. Sobre a chegada da concorrência afirma : “agora é um caminho sem volta”. O Brasil está no mapa da expansão. Porém, não para a Dior. Com apenas uma loja no país, pretende permancer assim. “Dá até raiva quando penso que na China abrindo 40 lojas da grife”, brinca.


da esquerda para direita: Fernando Pimentel, Rosangela Lyra, Natalie Klein, Alexandre Birman, Giuliana Cury e Richard Barczinski

DIFICULDADES NA IMPORTAÇÃO

Um dos principais empecilhos para as marcas desembarcarem no Brasil são os impostos. Fazer a operação (leia-se sem sonegar) implica em taxas que ultrapassam 100% o valor original do produto. Natalie Klein alerta que se paga um imposto sobre um produto industrializado (IPI) mesmo quando a fábrica é na França. Outro problema apontado pela empresária é a demora na importação. “A moda é perecível, não podemos esperar dois meses uma coleção chegar”. Ela cita um divertido caso da importação de um fecho em forma de coração para a manutenção de uma bolsa da grife Luella, que ficou seis meses parado na ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), confundido com um coração humano (oi?).

COMPRA PARCELADA

A mediadora questiona por que com tantos fatores contrários o Brasil vem apresentando bons resultados no setor. A resposta está na compra parcelada. O país é um dos únicos que divide em vezes peças de luxo em 10 ou mais vezes sem juros. Rosangela afirma que além disso há um “tratamento de princesa” e Natalie completa falando da oferta da manutenção continuada  da peça , serviço que não é garantido no exterior.

Barczinski lembra ainda que a consumidora local compra por emoção: “a gente é latino, emotivo” e avisa que está impressionado com o grau de informação de moda dos brasileiros. Já a dona da NK Store considera que a brasileira ainda é uma iniciante no luxo e destaca que a busca por esta ou outra marca vem com o tempo, e com um apuro do olhar. “A marca que melhor faz a iniciação ao luxo é a Louis Vuitton, só depois o tempo a pessoa vai entrar na Hermès“, ensina.

E-COMMERCE

Considerando as dimensões continentais do Brasil. As vendas on-line parecem uma caminho óbvio, como bem observou uma das perguntas da platéia. Contudo, ainda há resistência do brasileiro no consumo virtual, por medo, e por uma falta de legislação específica. “Somente agora o Procom aceita reclamações de compras via internet”, destaca Giuliana Cury. Outro ponto levantado é a questão sensorial, que só a experiência do contato do produto na loja proporciona.

Daniela Cecilio, vê no Brasil uma oportunidade grande na venda via internet, uma vez que as marcas não têm que arcar com uma estrutura e os pesados encargos de se instalarem aqui. Atualmente os produtos vendidos na Farfetch vem de lojas no exterior, mas revela que pretende conversar com lojas locais para otimizar o tempo de entrega que é de cinco a sete dias úteis.

A NK Store tem planos de estrear um site de vendas em março de 2011, Natalie Klein anuncia que estão trabalhando em ajustes jurídicos e tecnológicos para começar. A grife de Marc Jacobs, por exemplo, não libera a venda pela futura página por ter sua plataforma global de web. Lyra enfatiza que a Dior não tem planos do tipo para o Brasil e que a vendas do tipo feitas são encomendas que chegam via e-mail. “internet do tempo da carroça”, diverte-se.

A Hermès também não tem projeto regional e segue as diretrizes da matriz francesa, segundo seu diretor local. E a marca Alexandre Birman, bem como a Arezzo e Schutz, integrantes do mesmo grupo, tem planos de vendas via web em curso. Eles ainda estudam um jeito de minimizar questões de devolução, “o frete é muito caro”, pontua.

LUXO MADE IN BRAZIL

Natalie Klein afirma que ainda há pouquíssimas representantes de luxo made in Brazil. Para a empresária a marca que se propõe a esse posicionamento tem que reunir algumas características: “tiragem pequena, tradição, acabamento impecável“ e destaca que Reinaldo Lourenço, Gloria Coelho e o Pedro Lourenço são marcas nacionais que estão no caminho.

Com pouco mais de dois anos Alexandre Birman e a grife que leva seu nome foi a representante do produto de luxo nacional no debate. Sua estratégia foi começar suas vendas no exterior, concentrando forças em posicionar seus produtos em lojas de renome internacional como a norte-americana Saks e a inglesa Selfridges. Somente agora abriu no Brasil. O designer analisa que há um espaço para o mercado de sapatos de luxo, mesmo com a vinda de Jimmy Choo e a Christian Louboutin: “a concorrência é saudável“. Ele pretende conquistá-lo oferecendo serviços exclusivos e calçados sob medida. A seu favor tem a carga tributária menor e a expertise na manufatura do setor calçadista do sul do país, o que lhe propicia o valor final do produto muito menor. “Um sapato sai por R$1000,00”.

PROMOÇÃO RELÂMPAGO NA DIOR

Eis que Rosangela Lyra vende o peixe da Dior afirmando que a loja também oferece sapatos a esse valor (uma pechincha para os padrões da grife). A comoção foi total entre os presentes na mesa. O comentário gerou brincadeiras por parte de Natalie Klein e Birman ao longo da palestra, em função dos argumentos em relação as altas taxas de importação. “Fica com as suas sapatilhas de 1000 reais”, descontraiu Klein. E a diretora da grife francesa brinca: “amanhã as oito da manhã estou lá na loja com a maquininha remarcando os sapatos“.

fotos Neonico

texto: Laura Artigas


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PENSE MODA DIA 1: A INTERNET E A MODA


Nov24

O segundo momento do dia foi hora do clima esquentar. Com pontos de vista bem diferentes: Guga Ketzer (VP Loducca), Mateus Santos (Lobo), Felipe Teobaldo (Neonico), Paulo Martinez (Mag!) debateram sob a mediação da jornalista Katia Lessa da Folha de S. Paulo.

O tema original da mesa era: "Ferramentas de internet renovam a comunicação de moda, o relacionamento com os clientes e os formatos de apresentação de uma coleção", contudo, a moda foi apenas uma coadjuvante, e o jeito que as pessoas se relacionam com a internet permeou o debate.

CADA INDIVÍDUO É UM VEÍCULO DE COMUNICAÇÃO

Kátia Lessa começa perguntando se está acontecendo uma dança das cadeiras na moda, e blogueiros estão tomando espaço dos editores de moda.

O editor de moda Paulo Martinez responde que sim, mas que é bom ter os dois “a editora de moda com a melancia na cabeça” (referência a Anna Dello Russo, da Vogue Japão) e a “menina sentada no chão com o computador”. E com a democratização do espaço tem muita coisa boa e muita coisa ruim.

Felipe Teobaldo analisa que os blogueiros são “líquidos”, eles se encaixam no espaço e estão ali por que querem estar ali. E que hoje cada indivíduo pode ser um veículo de imprensa. Contudo, há o “darwinismo digital” e entre tantas opções, cada pessoa vai lembrar de um ou dois blogs. Guga Ketzer reflete que antes veículos como a Rede Globo e a veja eram as fontes de informação fidedignas, hoje isso já é questionável. Todo mundo fala ao mesmo tempo.

COMO SE ADAPTAR?
Felipe comenta que a internet coloca em risco instituições sólidas. Guga observa que não adianta as marcas quererem redes sociais só por ter, precisa saber usar, integrar e trocar. Matheus Santos avisa que as marcas estão mais rápidas que os veículos de comunicação e que hoje elas já tem canal de You Tube e produzem seu próprio conteúdo. Felipe revela que as marcas de maior atuação digital, são praticamente as mesmas de atuação no mundo real.

AS MARCAS TÊM O PODER
Guga comenta que hoje as marcas sólidas se dão ao luxo se fazer uma comunicação especial para internet, como é o caso da BMW que contratou diretores de cinema aclamados para dirigirem curtas, cuja a única recomendação era aparecer um carro. Durante a palestra era exibido o filme que Sofia Coppola dirigiu para o perfume Miss Cherie da Dior.

MUNDO MULTISENSORIAL
Paulo Martinez confessa que apesar de ser de uma outra geração se entregou ao tudo ao mesmo tempo agora, assiste TV ao mesmo tempo que usa o computador e folheia revistas. E não tem mais paciência de assistir um vídeo da internet com 10 minutos. Contudo, se considera um romântico e gosta de Revistas e de comprar Cds. Ketzer analisa que as crianças já nascem multisensoriais.

SER DIGITAL
Guga analisa que são poucas as marcas que sabem lidar com a internet. E que ser digital não é um meio e sim uma atitude. A comunicação, portanto, tem de ser muito mais textual, mensagens, e começam a surgir dificuldades de reconhecer sinais corporais. Ao mesmo tempo Felipe analisa que não é preciso ter mil aparelhos, o importante ter o pensamento tecnológico. Assim, blogueiros com uma maneira de comunicar atual atraem as “mídias tradicionais”, e cita o caso da MTV que hoje tem muitos blogueiros em seu casting de apresentadores.

DEMASIADO HUMANO
Felipe analisa que as marcas que querem se dedicar à internet tem que tomar muito cuidado. “a internet é a casa da bizarrice”. E o espaço está ficando mais humanizado, e ali portanto acontecem erros. Então, as marcas precisam ficar muito ligadas em quem elas vão escolher para ser seu porta-voz na internet. Guga comenta que a internet é um muro a ser pichado, porque as pessoas reclamam muito na internet: “se um dia ficar sem twitter, aumenta o consumo de Valium”. Paulo reflete que hoje a opinião é mais importante que o fato.

A INTERNET VAI ACABAR?
Felipe avisa que nos próximos dez anos o espaço da internet vai acabar, e que vamos nos comunicar de outro jeito. Paulo Martinez se manifesta dizendo que “acha isso tudo muito chato” e pergunta “ a gente quer mais tempo para que?”. E afirma que é um romântico, e que até pouco tempo atrás não sabia nem mandar e-mail. Hoje ele fica assustado o com os seis mil seguidores que tem no twitter.

IPAD X LIVROS
Paulo Martinez avisa que a Mag! Será lançada em janeiro para Ipad. E que esse gadget da Apple não permite mais desculpas do tipo “a impressão ficou ruim”, porque é como ter um backlight atrás da fotos. Guga observa que anda reparando que as capas dos livros estão mais bonitas. E Felipe completa que o livro tem uma dimensão sensorial, que o Ipad não propicia.

O QUE FICA?
O público estava preocupado em questionar a qualidade, a profundidade e a permanência do conteúdo colocado na internet. A stylist Letícia Toniazzo citou a sua companheira de profissão, a americana Grace Coddington, dizendo que a moda precisa de uma inteligência por trás, e que antes havia tempo para aprimorar uma idéia. Camila Yahn questiona se o quantitativo não está sobrepondo ao qualitativo. Jackson Araújo reflete que as coisas são jogadas fora com muita facilidade hoje.

Guga sugere que estamos em um percurso natural e que daqui a dez anos haverá um debate relambrando um twitte. Felipe avisa que tudo é uma questão de como você interpreta o que você vê. E que a timeline é a sua curadoria. Hoje cada um opta o tipo de informação que quer ver. “Por mais que você ouça `eu te amo´, será apenas um timbre te fará vibrar”.

Foto: Neonico

texto: Laura Artigas


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PENSE MODA DIA 01: THE HILTON BROTHERS


Nov24

O Pense Moda 2010 começa com a apresentação dos The Hilton Brothers. Em um clima completamente descontraído e performático, os fotógrafos Christopher Makos e Paul Solberg apresentaram seu trabalho, falaram sobre como é seu processo criativo, sobre identidade e trocaram de roupas duas vezes.

Camila Yahn, diretora de criação do Pense Moda, apresentou os dois falando que a vontade de convidá-los para palestrar surgiu depois de apenas alguns minutos de uma entrevista que fez com os dois no primeiro semestre. Em comum com o evento, eles não passam vontade e fazem tudo que têm vontade, independente do dinheiro, motivamos pelo coração.

Sempre brincando um com o outro e vestindo ternos exatamente iguais, Chris alerta a platéia que para ele e seu parceiro de trabalho foi uma grande surpresa o convite para falar em público e que até pouco tempo atrás pensavam que vinham para a semana de moda. Quiseram então proporcionar algo descontraído para o público brasileiro.

Entre uma foto e outra mostrada no telão, um brinca com o outro. Chris elogia o terno de Paul. E fazem brincadeiras que motiva gargalhadas do público. Um celular tocou na platéia e ele relembrou que os aparelhos precisam ser desligados: “e nada de checar e-mails, ou twittar”, recomenda. Em um segundo momento outro aparelho toca e ele procura sem cerimônia o dono do barulho.

Durante a palestra usaram três ternos diferentes e fizeram duas trocas roupas em pleno palco. Ao som de uma música propícia para um strip-tease. Sobre os modelos que usam Paul responde que são eles mesmos que desenham e adoram fazer isso. “Adoramos brincar com a identidade”. Compram tecidos, botões e aviamentos pelo mundo, e mandam fazer os ternos em Pequim.

Os dois se conheceram em 2004 em Nova York. Trabalharem juntos não foi uma escolha, aconteceu naturalmente.

Chris começa falando do trabalho que fez com Andy Wahrol em que clicou o famoso artista vestido de mulher. “Já gostava de brincar com a identidade“.

O trabalho virou seu livro “Lady Wahrol” e posteriormente se tornou o trabalho coletivo “Andy Dandy”. De um lado as fotos de Wahrol feitas por Chris e de outro as fotos de Paul da série Bloom, em que ele se dedica a fotografar flores.

As inspirações citadas pelos The Hilton Brothers são os provocadores históricos do conceito de arte, o dadaísta Marcel Duchamp, o pai da pop art Andy Wahrol, e Man Ray, artista que deu nova dimensão à fotografia.

Na palestra mostraram fotos diversas: de símbolos de Nova York feitas especialmente para a Condé Nast Traveler da Espanha; fotos feitas em viagens, da série “Narrative”, que integraram a exposição “Mistaken Identity” de 2009; e a série “Speed“ (2006), imagens criadas como interpretação da velocidade.

Ao mesmo tempo que se dedicam a fotografar em viagens, gostam de olhar a vida cotidiana de maneira incomum e por isso também mostram uma foto de uma camisa comprada em Nova York colocada em uma situação diferente, num contra-luz, causando um efeito translúcido.

Comentam sobre a serie “Hippofolium” de 2005 que foi um dos primeiros trabalho sob o codinome The Hilton Brothers. Nas montagens estão de um lado as flores da série “Bloom” de Paul e de outro fotos que Chris fez de cavalos em Hamptons, local que reúne casas de veraneio da elite nova-iorquina. A série sobre os cavalos começou com um pedido da esposa do estilista Calvin Klein de fazer uma foto de seu cavalo.

Já com o terceiro terno da noite os dois responderam as perguntas do consultor de tendências Jackson Araújo. Ele analisou que suas fotos dão a idéia de deslocamentos, em retratos de espaços públicos e objetos triviais, do cotidiano, que se assemelha muito a Pop Art.

Paul responde que gosta de olhar a vida cotidiana sempre com olhos renovados e de procurar detalhes em um salto alto ou na sombra de um prédio. Chris enfatiza que a vida cotidiana não é sem graça.

Eis que o entrevistador convidado trouxe aos dois a seguinte reflexão: O mundo se fragmentou e se multiplicou de tantas formas que nos acostumamos a viver micro realidades. Surge a sensação de que estamos colocando as peças de um quebra-cabeça impossível de se finalizar em si mesmo. Cada vez mais diversificada e interconectada, a sociedade global é um universo multifacetado de, cheio de escolhas e possibilidades. Parece que estamos sempre perdendo algo e a ansiedade então nos leva aos pedaços. A idéia do trabalho colaborativo pode ser vista como uma forma de aliviar essa sensação de querer estar em todos os lugares ao mesmo tempo?

Os The Hilton Brothers aplaudem a pergunta, cumprimentando Jackson pela sua síntese sobre o mundo moderno. E que sim, os dois querem mesmo estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Cada um tem o seu trabalho, mas o material é editado colaborativamente. Trocando mutas ideias, para transformá-las em em uma só.

Jackson pergunta então como a moda pode colaborar para a sociedade ficar mais inteligente?
Chris cita a cantora Lady Gaga e o vestido de carne que ela usou na premiação da MTV como um exemplo. “Ela cria conflitos. Deixa as pessoas nervosas. Ao mesmo tempo neste Halloween várias crianças se fantasiaram de Lady Gaga”.

As perguntas das platéias giram o torno do processo de trabalho dos dois. Comentaram que em algumas séries os dois estão no mesmo lugar e têm visões completamente diferentes da mesma cena. Eles comentam que não há disputa de egos: "é muito bom deixar o ego de lado para ver o que emerge", afirma Chris. Assim, de duas identidades criam uma.

E preparem-se: no próximo ano vai ter exposição dos The Hilton Brothers em São Paulo, furo dado em plena palestra.

fotos: Neonico

texto: Laura Artigas


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